07 março 2013

SARAUS E RODAS DE POESIA



De definições diferentes, saraus e apresentações de poetas chegam a confundir-se.
Este texto não pretende dizer que um é melhor que outro, mas diferenciá-los e emitir opinião pessoal.
Saraus podem apresentar todos os tipos de arte. Música, pintura, artes plásticas, performances e até, se sobrar espaço, poesia. Não nos esqueçamos da fertilidade de idéias da Semana de Arte Moderna de 1922, que renovou conceitos artísticos.
A Roda de Poesias caracteriza-se por abrir espaço apenas à poesia. E quanto espaço a poesia abre. Especialmente a troca de idéias entre seus participantes, a descoberta de diferentes formas de manifestação escrita, inclusive com o plágio criativo, e até a formação de parcerias na construção da literatura.
Nos últimos anos participei ativamente de múltiplos saraus, mas apenas de algumas raras rodas de poesia.
Cansaram-me os saraus. Sem abandoná-los, passei a ir a poucos..
Embora seus participantes sejam, em sua ampla maioria, competentes na arte que praticam, os saraus tornaram-se repetitivos ao meu gosto. Fartei-me de ouvir as mesmas canções durante dois terços ou mais de cada evento, restando aos poetas parcos segundos, entre as cantigas, para apresentar sua poesia. Assim, tipo um comercial para as pessoas se prepararem para o próximo cantor se apresentar.
Mas, se é disso que a maioria do público gosta. Ao show... Abram-se as cortinas.
Diferentemente das rodas de poesias, onde podemos prestar toda atenção no poeta, perguntar-lhe o que quis dizer, sugerir uma pequena alteração num verso, pedir o texto para relê-lo. Claro para isso necessário eliminar-se todas as suscetibilidades e estar pronto para aprender e aceitar o novo, uma vez que, salvo alguns – desculpem-me - repetidamente “enluarados”, “estrelados” ou “sempre apaixonados”, nenhum poeta é melhor ou pior em sua arte. Apenas diferentes.
Lembro, ainda, que nem toda poesia é feita para ser apresentada em público. Há, minimamente, três espécies de poesia.
Poesias para serem declamadas, rápidas para que a atenção do ouvinte não se disperse, poesias para serem lidas, mais longas, onde se permite prestar-se maior atenção a cada segmento da poesia, as articulações de rimas, os encadeamentos de versos e ainda há poesias para serem vistas, como a concreta.
Ainda há a possibilidade dos varais de poesia, onde cada leitor segue sua velocidade, pode copiar versos, voltar-se ao verso anterior para entendê-lo melhor. Há um segundo sentido sendo aguçado. De quebra, ainda talvez, tenhamos a oportunidade de se aprender novas palavras, sem vergonha de ficar com aquele jeito de não entendi nada.
Enfim, passadas as rápidas considerações, cada ao leitor pensar sobre o assunto e encaixar-se onde melhor lhe aprouver.
Para terminar um pedido:
Se souber aonde há roda de poesias, mande-me informações, pelo 
email: plugal01@gmail.com 
Um grande abraço a todos os poetas. E aos que não são também.

06 março 2013

TABU



Sempre me lembro.
Sentados na sala.
Meu pai e eu.
TV antiga.
Ganha usada.
Sintonia ruim.
Bombril na antena.
Preto e branco.
Todos os personagens
Ansioso não tirava os olhos.
Vai ser hoje.
Tinha de ser.
Sofrimento juvenil.
Promessas à imagem na parede.
Hoje já não creio nisso.
Foi-se metade.
Metade da fé perdida?
Que não perdêssemos servia.
Era costume. 
Pedrada de Paulo.
Lá no alto.
Era hoje, não é pai?
Ralhou: Senta...Não grite!
Olha lá, olha lá!
Outra vez...
Minuano...
No cantinho.
Mais uns miinutinhos.
Terminara um sofrimento.
Abracei meu pai.
Fui dormir feliz.
Seis de março de 1968.
Faz 45 anos.
O pessoal do Rei e Santos era vencido
Dois a zero.
Acabava-se o tabu...

 

A foto é do jogo seguinte, mas foi esta equipe que derrotou o Santos.

05 março 2013

PININHA NA RINHA DO MMA



Qual a desculpa de hoje, Pina?
Não me olhe com essa cara, dona Gertrudes.
Foi o ônibus, o congestionamento, falta de energia no trem, despertador atrasou?
Tudo isso e nada disso, Gegê.
Gertrudes, por favor, que hoje não estou para Gegê. Estou atrasadíssima para a Academia. Fala logo, a desculpa...
A senhora não me deixa falar...
Desembucha...
Foi o seu Takeo...
Ora, Pina... Até o Sr. Takeo vai levar a culpa de seus atrasos. Tenha a paciência.
Verdade, Gegê... Eu passava no ônibus e vi que estava cheio de viatura na frente da casa dele.
O que aconteceu? Ele estava ferido? Foi assalto?
Não entendi direito, mas ele estava sendo algemado.
O que foi, fala logo...
Calma, ai! Eu desci do ônibus e fui tomar informações sobre o qüiproquó.
Sabe o que os poliça me disseram?
Claro que não!
Primeiro eles mandaram eu circular. Disse que estava circulando desde madrugada no ônibus, aí eles disseram que eu estava desacatando a autoridade e veio pondo a mão em mim. Aí, eu falei para ele que ia contar tudo para minha patroa, que ela era mulher de um repórter e ia denunciar “eles” na TV. Eles ia tudo aparecer naqueles programas da tarde.
Está bem, Pina! Agora conta por que estavam prendendo o Sr. Takeo.
Eu comecei a gritar: Takeo, Takeo, Takeo... O que aconteceu? Um poliça com duas estrelinhas na lapela falou grosso: Ele cometeu uma contra invenção. Eu respondi: O Takeo não é inventor. Ele é, Gegê?
Contravenção, Pina, contravenção. Que contravenção ele cometeu?
Sei lá! Se eu souber o que é isso posso explicar...
Bom, volta a fita. O Sr. Takeo foi preso por que?
Disseram que ele tinha galo no quintal.
E daí?
Também não entendi e pedi para explicarem: Disseram que ele estava treinando os galos para uma tal de rinha...
Ai! O Takeo fazendo rinha de galo? Isso é piada. O Takeo cria umas duas ou três galinhas por que gosta de ovos naturais, sem produtos químicos.
Pois é... Mas, eu tive uma idéia para soltarem o Takeo,
Ai, ai, ai, ai, ai... Que você fez?
Falei que os galos eram encomenda da minha patroa para fazer canja.
Canja de galo, Pina?
Sei lá, com essas modernidades, galo pode ser galinha.
E soltaram o Takeo?
Eles falaram que iam vir aqui investigar se era verdade... Se eles aparecerem, a senhora confirma.
Está bem! E o Takeo?
Perguntei para um moço que estava assistindo a confusão o que era rinha. Com paciência ele explicou... Os galos ficam num cercado lutando até sangrarem e se matarem. Demorou um pouco, mas quando entendi, virei mulher-macho... No bom sentido... Comecei a gritar: Se o Takeo está contravertendo (existe isso, Gegê?) tem um monte de gente na televisão fazendo igual e eles ganham até dinheiro.
Como é que é, Pina?
Eu vi o marido da Zefa assistindo. Dois homens entram no cercado e ficam se batendo até sangrarem e um desistir.
Isso é MMA...
O que é isso?
Artes Marciais Mistas. Uma luta onde vale quase tudo.
Homem pode e galo não pode? Não entendi. A senhora pode me explicar a diferença?
Acho que os dois estão errados, mas fazer o que? Briga de galo é proibida, MMA não é... Bem, mas o Takeo? Os policiais o soltaram?
Em parte...
Como em parte?
Colocaram ele na viatura, mas tiraram as algemas.
E para onde foram?
Disseram que iam para a Delegacia, mas antes iriam confirmar a história que eu contei...
Que história?
Da canja, ora...
Ai, não, Pina... Assim não dá... Tocaram a campainha... Vá lá, veja quem é?
Vixe, Gegê...  São os poliças... Deixo entrar ou digo que não está?

18 fevereiro 2013

I DON’T SPEAK ENGLISH



 “ “The book on the table” ...“O Buick tem tablet” ... “O Burton teve a Taylor”?
As assemelhadas frases retrocitadas (ou supracitadas) significam quase exatamente nada para mim e milhares de pessoas brazilianas que não falam (nem entendem) uma única Word em Inglês.
Minha ignorância e incapacidade em aprender inglês sempre me foi dolorosa. Via os colegas de “Gymnasio” cantarem e não entendia nientes o que John, Ringo, Paul e George diziam em suas músicas.
Acredite, se quiser: Um de meus professores no colegial (lembram-se dele?) foi o professor João Fonseca, gabaritado autor de “Ih! Espique English”.
Não sei por que tamanha dificuldade com o Inglês.
Aprendia com alguma facilidade os outros três idiomas ensinados naqueles bons tempos de escola pública. Está certo não lembrar praticamente mais nada de Francês, exceto os primeiros acordes da Marselhesa, do Platini e do Zidane. No Espanhol tropeço, mas não digo “Cueca Cola”, mesmo que esteja colando. No português, rastejo. Se dissesse que sei o Português estaria faltando com a verdade. Poucos têm essa capacidade. É quase impossível saber-se plenamente o português. Tanto é verdade que o governo estendeu a aplicação das novas normas ortográficas, até que um ex-presidente aprenda minimamente as velhas.
Escutou bem, corretor do Word? Pare de me corrigir...
Curioso foi, num dos vestibulares que prestei, haver obtido um dez na prova de inglês.
Três hipóteses para tal milagre.
A primeira era que traduzir um texto daqueles, qualquer criança de cinco anos, nascida na Inglaterra ou USA – exceto Miami – conseguiria. A segunda era o vestibular ser para Direito, onde se privilegia o Latim, diga-se “en passant”, - vg. (verbis gratia) de passagem - também não entendo bulhufas de pitipiricas. Na terceira, e mais provável, o encarregado da correção iria dar-me um zero. Começou a tremer de tanto rir com as asnices de minha prova, a caneta caiu e riscou um traço à frente do zero. O responsável pela transcrição da nota para a folha de fechamento, traduziu que o risco era o número um e escreveu dez.
Para não me dizer absolutamente ignaro quando se trata de inglês, aprendi que JIP (Japonês, Inglês e Português) são as únicas nacionalidades em que o feminino também usa chapèuzinho (quando estudei, chapèuzinho tinha o charme do acento grave). Quem quiser comprovar o uso do chapèuzinho pelas mulheres dessas nacionalidades, pode visitar o bairro da Liberdade em São Paulo, Trafalgar Square in London ou a padaria do seu Manoel, aqui na Vila.
Meu sofrimento com o inglês atingiu seu auge quando Diana apareceu em minha vida. Não a Lady Di, mas uma professora da faculdade de Jornalismo.
Talvez fosse uma dose de ciúme.
Ela chegava sempre com um tal de “Good Night”. Não dava a mínima para qualquer palavra que eu lhe dizia em Português. Ia embora com o “bye bye” ou com Solon (seria aquele grego? Afinal ele era legislador, jurista, poeta e mais 998 utilidades, tanto que era apelidado de Bombril entre seus pares).
Não falava uma única palavra em língua nativa, isto é em Português, pois a língua nativa do “braziu varemnós” é o Tupi-guarani.
Talvez, não soubesse falar nossa língua.
Desculpável...
O que não era desculpável eram as notas que obtínhamos.
No final do ano, com o intuito de melhorar nossa média e evitar a DP (v.g. dependência), propôs um trabalho para os alunos do fundão. Aqueles com notas abaixo da média. Teríamos que apresentar uma entrevista, em inglês, com alguém famoso.
Nosso grupo compunha-se por cinco alunos ou dez analfabetos funcionais, pois íamos duplamente mal. Tanto na última flor do Lácio, quanto na língua de Robin Hood.
Quatro seriam os entrevistadores.
Eu, com minha tradicional sorte, fui sorteado para ser o entrevistado.
Ao menos poderia escolher quem seria.
Escolhi Bjorn Borg, tenista sueco que maravilhou o mundo nas décadas de 70/80. Afinal, sabia alguns termos inglêses do tênis. Coisinhas como ace, game, set-ball, match-point, advantage, smash, tie-brake, Orange-bol, Roland Garros, Taça Davis, Wimbledon, Thomas Koch, Maria Esther Bueno. Essas palavras que se aprende na transmissão de jogos pela TV.
O entrevistado responderia dez perguntas. Tipo “roda-viva”.
Tudo em inglês.
Óbvio!
Decoramos as perguntas e respostas de forma seqüencial e lá fomos nós. Católicos no centro do Coliseu Romano a espera dos leões, no caso da Leoa.
Na ponta da língua a ordem das respostas.
Tudo ia bem até a sétima pergunta, quando um dos “entrevistadores”, no limiar da ansiedade, trocou a pergunta e fez-me a oitava. Rapidamente respondi o combinado para a sétima.
Algo assim: a pergunta para o Borg aqui era onde havia nascido e respondi minha partida contra Rod Laver (nunca se enfrentaram – o australiano Laver jogou nos anos 50).
A mestra, diga-se “en passant” (verbis gratia de novo - de passagem), lia um texto e parecia não prestar a mínima atenção ao trabalho, quase caiu da mesa e gritou: Stop!
Melhor seria dissesse: Estepe! Afinal era um caso de troca. Trocaram a pergunta. A resposta eu acertara a ordem.
Com aquele olhar meigo do leão vendo a gazela, perguntou-nos: What?
Entendi o ocorrido e travei, gaguejando mais que George VI.
Segundos após, o “nobre” colega – na hora acho que disse fedapê em inglês – percebendo a asneira que fizera, desatou a rir.
Não sei se ria pela graça da situação ou de pavor do que poderia advir.
Farsa descoberta, para completar a tragicomédia, emendei:
Sorry! I am Swedish. I don’t speak English and not understand the question.
Até a teacher caiu na risada, provavelmente causada pelo sotaque norueguês de Bjorn. Traindo-se, disse in Portuguese: Vocês não têm jeito!
Agraciou-nos com honrosa nota five, salvando-nos da temível DP(já explicado).
Bye bye, Solon, bye bye... (Quem lembrou dessa, tem mais de 50).
Thank you, people!

20 janeiro 2013

TRATADO GERAL DO FILHO DA PUTA

Quem vive aqui neste país
Terá que comigo concordar
Há uma raça perversa e infeliz
Mereciam a mira de fuzis
Infelizmente posso assegurar
Tem filho da puta em todo lugar

Povo andando no fio da navalha
Chama de doutor gente canalha
Aturando todo tipo de sevícias
Morrendo de medo das milícias
Sofre quieto! Nem pode reclamar,
Um filho da puta pode lhe estrepar

O assassino era adolescente
Atirou pra mostrar ser mais valente
Nas esquinas, basta aparecer
Um do tráfico vem logo oferecer
Dar um pico, carreirinha aspirar
Filhos da puta destroem seu lar

Desliguei o rádio e a televisão
É noticia ruim, chacina, corrupção
Tiroteios, parece o Velho Oeste
Só herói pra prender tanto cafajeste?
Batman! He-Man! Podem me ajudar?
Filhos da puta não sabem enfrentar

Mulher que do marido só apanha
Chuva arrasta casas da montanha
O crack dizimando a juventude
Quem deveria uma atitude
Só aparece na hora de votar
Filhos da puta querem se locupletar

Longe de pensar só o político
Exemplar desse sujeitinho típico
Multiplicam-se por toda parte
Não adoecem, nunca tem enfarte
Não é preciso muito procurar
Filho da puta é fácil de encontrar

Brotam do nada, vêm em batalhão
Preste atenção, tem um por perto
Bituca ao chão, se achando esperto
Larga o carro à frente do portão
Lixo nas praias, e que dane o mar
Filhos da puta devem nascer de par

Você se escangalha de estudar
Batalha e conquista bom emprego
Fez serões, horas extras sem parar
Ajeita-se e na hora do sossego
Seu tapete um vai querer puxar
Filhos da puta sempre a apunhalar

No Metrô ocupa o banco reservado
Fura fila se fazendo de rogado
Deixa cachorro o dia inteiro a latir
Desgraça alheia, faz piada a sorrir
Pintura nova, surge para pichar
Filhos da puta são mesmo de enervar

Cuidado! Senão você se encaixa
Não respeita pedestre na faixa?
Som alto em plena madrugada?
Não recolhe o cocô da calçada?
Certamente alguém vai praguejar
Um filho da puta acaba de passar
 
Tem filho da puta em todo lugar
 -------------------------------------------
Idéia incidental de Filha da Puta
(Ultraje a Rigor/1989)




19 janeiro 2013

USAIN BOLT MORRE ATROPELADO?



Pouco menos de 10 segundos é o tempo que Usain Bolt – campeão olímpico e recordista mundial – demora para cruzar 100 metros.
Talvez somente ele, se estiver bem atento à largada, consiga atravessar diversas avenidas de São Paulo no tempo destinado aos pedestres, que além de tudo não podem disparar imediatamente ao sinal de partida – o sinal verde do homenzinho do poste.
Isto porque o pedestre ainda tem que aguardar a passagem de alguma moto entre os carros atravessando o sinal vermelho.
Em São Paulo há avenidas de duas pistas com mais de quinze metros, por exemplo Domingos de Moraes, Jabaquara, em que o tempo semafórico para a travessia de pedestres é de incríveis sete segundos.
Largando bem, o pedestre mais veloz conseguirá, com esforço, chegar ao meio da pista.
Aí, poderá tomar um lanche, um energético, respirar fundo e recuperar-se para a segunda parte da travessia.

Diante deste absurdo da CET - Cia. Eng. Tráfego – resta-nos dar uma dica para o veloz campeão melhorar seus tempos:
Usain, venha treinar atravessando as avenidas de São Paulo.
Mas, cuidado!

Não falhe na largada, senão poderá morrer atropelado, como tantos pedestres.

13 novembro 2012

METRÔ ALTERA NOME DE ESTAÇÃO

Por determinação da Portaria 2013/A2 a estação da Linha Vermelha Palmeiras-Barra Funda, passa a ser denominada PALMEIRAS SÓ AFUNDA.

04 novembro 2012

POSSE ACADEMIA ITANHAENSE DE LETRAS

Convido para posse na Academia Itanhaense de Letras
Dia 10.Nov/12 (Sábado).
Camara Municipal Itanhaém
20h.



http://vidaexpressovida.blogspot.com.br/2012/10/convite.html

http://mail-attachment.googleusercontent.com/attachment/u/1/?ui=2&ik=4b4214d779&view=att&th=13acb5e2d0b221aa&attid=0.1&disp=inline&realattid=3ce7eb2b710fdf5b_0.1&safe=1&zw&saduie=AG9B_P_0AgN7x9k0zrfD3CS7ylq9&sadet=1352033217267&sads=478m0SemhgI90g9wCdXZ8HoD2b4&sadssc=1

15 setembro 2012

ESPETÁCULOS QUE NÃO SE DEVE PERDER


Para quem gosta de boa arte, até meados de outubro estarão em cartaz quatro espetáculos que devem ser assistidos.

Quatro formatos diferentes de montagem, todas de excelente qualidade.

NEW YORK, NEW YORK - O famoso musical que dispensa maiores comentários está no Teatro Sérgio Cardoso - R. Rui Barbosa, 153 -  Tel: 3288-0136. De quinta a domingo.

TEATRO CEGO - O GRANDE VIUVO - Em cartaz no Crisantempo - Rua Fidalga, 521 (V Madalena) - tel: 3819-2287. Aos sábados e domingos. A peça é um conto de Nélson Rodrigues. O diferencial é ser apresentada totalmente no escuro, como se todos na platéia fossem deficientes visuais -  três dos artistas são deficientes.  Envolve-se a platéia nas sensações dos outros quatro sentidos. Merece ser experimentada.

LUIS ANTONIO-GABRIELA, dirigido por Nelson Baskerville, está no João Caetano - R. Borges Lagoa, 650 (Metrô Santa Cruz) - tel: 5573-3774. Conta a historia do homossexual L.Antonio que desafia as regras sociais da decada de 60. Interessantissima montagem. De sexta a domingo.

A BOLA DA VEZ: PLINIO MARCOS - Em cartaz no Maria Della Costa - R.Paim, 72 - Tel: 3256-9115. Bela homenagem ao escritor maldito censurado nos anos de ditadura. Quintas e sextas às 21h.

NÃO PERCAM, NÃO PERCAM, NÃO PERCAM... 
Peraí ...
SÃO QUATRO NÃO PERCAM...


14 setembro 2012

ACORDO COM BANCOOP - A pior solução



Uma assembléia com oitenta pessoas favoráveis a um acordo com a BANCOOP.
Maioria estrondosa.
E daí?
Podem passar por cima da lei?
Podem exercer o direito de outras pessoas?
Podem representar quem não está na ação civil?
A “comissão” é apta a comercializar imóveis?
Ora, ora...
Balelas!
As espertas retiradas da BANCOOP das ações servem para duas coisas:
1 – Livrar a cara dos investigados por estelionato.
2 - Criar cizânia entre os cooperados.
A BANCOOP derrotada sai de cena cambaleante, deixando suas vítimas se digladiando. Vai para a platéia divertir-se com as batalhas internas para resolver o golpe que ela causou.
Frases soltas à parte, a situação é prato cheio.
Vamos às batalhas judiciais, com a multiplicação de ações individuais. Pelo menos 50 pessoas defenderão seu interesse de não pagar nada. Trinta já estão certas disso.
Quem pagará a parte deles já dissemos. Os “acordantes” que não querem acordar para a realidade do acordo inócuo e confessarem sua dívida a nova incorporadora.
O prejuízo será de quem assinar o acordo.
Se havia a propalada “demora” da execução, agora teremos essa demora multiplicada.  
Atentem que a entrega judicial do empreendimento está por um fio.
Ainda é tempo!
E quem avisa...

04 junho 2012

ENGASGADO

Pois é!
Sabe gente...
Fica o dito por não dito, meu são Benedito.
Encosta na parede! Deita no chão! Mão na cabeça! Abre as pernas!
Nada a dizer, não, senhor!
Ah, é? E tome cacetada...
Enquanto isso, lá nos palácios os envolvidos nas maracutaias gerais do “braziu varemnóes” sussurram, como se nada soubessem:
“Não falo! Não falo! Não falo!”
 “Só me abro para o Juiz!”
“Quero exercer meu direito constitucional!”
Claro, Excelência! O doutor está dispensado.
Peraí! E o meu direito de não ser espoliado por essa raça sem pedigree?
Têm tantas coisas que dizem ao juiz - de futebol - que eu queria dizer a essa canalha.
Vou esperar o fim do Mensalão para dizer diretamente ao chefe. Esse dia está próximo.
Afinal, duendes existem.
Não existem?
Então não saberemos esse segredo de estado?
Os envolvidos estão todos escondidos atrás da poeira da Cachoeira.
Perguntem, corrigindo-me: Água da Cachoeira, você que dizer?
Não! Eu quis dizer mesmo é outra coisa, que estão tomando cuidado para não respingar.
Senão haverá muita gente pulando de asa Delta, rolando morro abaixo e gritando:
Quem foi que inventou o Braziu? Foi Seu Cabral! Foi Seu Cabral!
Desta vez, sacrificaram Torres para proteger a Dama e salvar o Rei.
Aos Geraldinos, aqui da arquibancada, só resta gritar, enquanto deixam:
Braziu! Independência ou Morte!
Morte?
Causa mortis: Engasgo de ossos de falcatruas (ave símbolo da pátria amada).
A cigana jura que está escrito nas estrelas.
Mas, sabe gente...
Fica o dito por não dito, meu são Benedito.
Pois é!

03 fevereiro 2012

SEMPRE IGUAL... NUNCA MUDA...

Às vezes, para não dizer sempre, nem nunca, dizem que fico mal humorado.
Sempre me dizem isso, mas nunca concordo, e, como é óbvio aos modestos, sempre tenho razão.
Nunca discuta isso.
Meu grilo falante é meio fofoqueiro e sempre me provoca. Nunca dei muita atenção a ele. Mas, ele garante que também andam dizendo que estou caducando.
Nunca escutei falarem isso perto de mim. Entretanto, sempre é bom desconfiar, ainda que a racionalidade, sempre costumeira, de meus textos comprovar o contrário, à semelhança de um litotes.
Tais fofocas devem ser decorrentes de quase sempre me estrepar nas estripulias que cismam sempre dizer que faço. Ou levo a culpa desde criança. Também, pudera. Nunca escutava minha mãe sempre a recomendar para eu tomar cuidado.
Outra coisa que ela sempre dizia é que era necessário estudar para crescer na vida e, perdoem-me a humilde modéstia e sinceridade, é claro, como sempre acontece, nunca fazia isso, mas sempre passava de ano.
A cada 365 dias, eu e todos os demais passávamos de ano.
Quase sempre assim.
Às vezes, coincidentemente sempre nos anos de Jogos Olímpicos, o dia 28 de fevereiro ficava de segunda época e tinha que repetir.
Sempre foi assim, não foi?
Claro que não!
Tudo começou quando Gregório XIII, também apelidado – sempre tem um apelido – de Gregório Chiiiiiiiii, que humildemente, como sempre cabe a nós, os magnânimos, batizou o seu calendário de calendário GregoriAno.
Feliz com o fato, saiu, como sempre fazia, cantando como nunca pelos corredores do Vaticano.
As datas são mais ou menos precisas. Afinal, diz a lenda, o calendário de Chiiiiii foi oficializado em 24 de fevereiro de 1582. Então, como sabermos corretamente datas anteriores, “vg”, como o dia do achamento do braziu, da América, et coetera, et coetera, et coetera?
Nunca saberemos ao certo, certo?
E pensar que sempre tirava notas baixas, porque nunca acertava, ou sempre errava as datas que o professor de história me perguntava.
O astuto leitor deve estar encafifado como sempre. Questionando como nunca meus conhecimentos.
Foi apenas uma pegadinha. Como sempre é a desculpa dos mestres quando erram.
Gregório Chiiii nunca cantou nos corredores do Vaticano. Cantava sempre, mas no Palácio de Latrão onde os papas ficavam de 313 d.C (calendário Juliano) até 1929 d.C.(calendário Gregoriano), quando criaram o Vaticano.
Não! Nunca desejei confundir o leitor.
È exatamente assim.
O calendário gregoriano alterou todas as datas anteriores, estabelecidas pelo calendário Juliano do Julio César em 46 a.C.
Verbi gratia, para o Juliano, Fevereiro tinha 29 ou 30 dias.
Sempre achei fosse porque o César gostasse muito de Carnaval, para esconder suas atrocidades, mas nunca tive certeza.
En passant (galicismo), uma pequena observação, apenas para confundir e desviar a atenção do que sempre importa...
Sempre (quase) me perguntam por que uso “vg”, ao invés de “p.ex”., isto.é “verbi gratia” (latinismo ou romantismo?), no lugar de “por exemplo” como sempre fazia até descobrir que os “vgs” dos textos jurídicos nunca significaram vírgula, como sempre achei.
Aí, passei sempre a escrever assim.
Uns dizem que é Direito demais, outros que é errado.
Nunca todos concordam. Sempre tem um do contra.
Isto é, quase sempre...
Aprendi, em minhas análises – psiquiátricas e não sintáticas - que nunca, como sempre fazemos, devemos dizer que algo ou uma pessoa sempre é assim, nunca é assim.
Assim é assim e “pf”. Este “pf” é minúsculo, uma vez signifique ponto final. Prato feito de boteco deve sempre ser escrito PF maiúsculo.
Que foi grilo-falante?
Ah! Como sempre, estou esquecendo de algo. Hoje é aniversário de quem? Nunca me lembro de aniversários.
Mas sempre me lembro que nunca lembrava de pagar minhas contas no dia certo. Até seguir os conselhos de um senhor que garantia que quase nunca esquecia de nada. Passei a usar um calendário gregoriano que ganhei do Sr. Juliano, gerente do banco, e que está sempre caído (o calendário) no chão perto da escrivaninha.
Não que eu marque qualquer data de vencimento das contas.
Nunca me lembraria de fazer isso.
Já pensaram no trabalho que dá, “vg”, escrever no dia 01 “pagar conta de Luz”, no dia 10 “pagar conta de água”, no dia 15 “pagar telefone” e assim até o dia 20, quando sempre parei de pagar qualquer conta, porque nunca sobra dinheiro.
Salário sempre acaba antes do mês.
Querem saber como marco o calendário?
Simples solução, como sempre convém a grandes problemas.
Fiz um carimbo e coloco em todos os dias: “Veja se hoje não tem conta ou imposto a pagar”.
Aí, abro a gaveta e confiro.
Genial, não?
Como sempre.
Nunca tinham pensado nisso, falem a verdade.
Calma! Agüenta aí! Estou concluindo.
Sempre me ensinaram que a conclusão tem sempre que confirmar a tese apresentada no início do texto.
Nunca se esqueçam disso, bradava sempre um professor de redação e lógica.
Quem quiser entender melhor, siga meus sempre exemplares e lógicos textos. Às vezes, enrolo-me um pouco, mas não neste texto, aparentemente sem nexo, onde, se me lembro, comecei dizendo que sempre dizem que estou sempre mal humorado. Lembram-se ou se esqueceram, como quase sempre ocorre comigo? Nunca me lembro – ou quase sempre me esqueço - do parágrafo anterior e quase sempre (ou às vezes?) tenho que retomar a leitura.
Sou brasileiro!
E como é de nossa natureza, sempre acreditamos em estranhas profecias que algum dia a corrupção acabará ou os impostos diminuirão nestas terras, que nem sabemos a data correta que foi achada.
Hoje, como sempre, acordei feliz com a esperança renovada.
Até abrir o jornal e ler que mais e mais corrupções são descobertas, outro ministro saiu, há mais suspeitas pelo ar e o governo pensa em novos impostos para cobrir gastos impublicáveis.
Todos os dias a mesma coisa.
Sempre... Sempre... Sempre...
Nunca... Nunca... Nunca sossegam...
Sempre assim...
Não tenho, como sempre, razão em ficar mal humorado e parecer caduco?
Parece que isso nunca acaba.
Pronto... Acabei!
Por favor, não diga que estou caduco, nem fique mal humorado.
Sorria!
Ah! E volte sempre...
Prometemos que não haverá caos aéreo.
Nunca mais?
Nem pra Copa?
Volta, vai!

25 janeiro 2012

MONOTONIA!

Dezembro - Brasileiro.

Janeiro - Copa São Paulo.

Todo mês um título?


Está ficando sem graça!

Afinando a voz, pessoal:

"Manu, nóis é fera!
Mundial em Itaquera"...

19 janeiro 2012

ELIS - A FALTA QUE ELA ME FAZ

Quase tudo já se falou sobre Elis Regina...
Exceto da falta que ela me faz.
19 de Janeiro de 1982, estava exatamente sobre a ponte pênsil de São Vicente, quando ouvi, sem maiores avisos: “Elis morreu”...
Freei o carro e travei-me...
Rápido, a idéia: “Ela não podia fazer isso”...
Morrer aos trinta e seis anos...
Como Marilyn...
Elis não tinha esse direito...
Havia muitas músicas para gravar...
Muitos compositores para lançar...
Muito a apimentar o mundo...
Lembro-me de frases marcantes de Elis...
Uma vez ela disse que parara a terapia para dar uma folga para a terapeuta...
Tinha razão!
Às vezes é preciso dar folga para os outros...
Mas não era o caso...
Elis dava prazer como seu canto...
Outra frase de Elis: “As pessoas se esquecem de dizer eu te amo...”
E não custa nada...
Não adianta dizer-lhe agora... Ela não vai ouvir...
Elis não tinha o direito de abandonar seus fãs amantes sem prévio aviso...
A gente tinha que se preparar...
Fazer uma terapia...
Por mais que escute as músicas de Elis, elas parecem sempre novas...
Aquela voz, que brincava com as notas musicais, não morre...
Felizmente...
È só fechar os olhos e ela parece ali fascinando, querendo a volta do irmão do Henfil, homenageando as Marias, levando-me de arrastão a tamborilar os dedos e acompanhando-a, esperando que ela fosse sair de dentro do CD e cantar só para mim, levando-me num trem azul, tirando-me o medo de amar e ser livre...
Elis você tinha que avisar a gente...
Você que cantava toda mistura de ritmos, bagunçou tudo na nossa cabeça com a sua ausência...
Embora nestes trinta anos tenham surgido excelentes cantoras com vozes maravilhosas o espaço de Elis é insubstituível...
Olho para meus CDs e fazer o quê?...
Numa repetitiva overdose de tantas madrugadas, ouço mais um, na esperança que entre uma música e outra, Elis apareça com outra frase surpreendente...
Ela não aparece...
Entretanto, nunca irá desaparecer...

15 janeiro 2012

ITANHAÉM E O DIREITO AO SOSSEGO

Na mesma semana em que se divulgou a vitória de Itanhaém no combate a dengue, outro fato relacionado à saúde, deixa-me indignado e irritado.
Causa diagnosticada da irritação: exposição excessiva ao barulho.
Neste caso, a cidade é Itanhaém – litoral sul de São Paulo -, mas serve para qualquer uma onde a paz do cidadão é desrespeitada pelo poder público que, a titulo de divertir o turista, contrata (ou autoriza) caminhões de som para fazerem barulho na praia, por sete, oito, dez horas diárias.
Assim se deu.
Na primeira semana de Janeiro de 2012 - quinta, sexta, sábado e domingo - instalou-se na Praia do Sonho, conhecida também por abrigar a Cama de Anchieta, um caminhão de uma emissora de FM, com o patrocínio de uma empresa de esfihas, recentemente instalada na cidade, e uma marca de cerveja.
Talvez, oculto entre os patrocinadores haja interessados em garantir o emprego aos otorrinolaringologistas da cidade ou, porque não, no crescimento do comércio de aparelhos auditivos.
Fato o barulho ter permanecido, ininterrupto das 10 às 17 horas, em volume certamente muito superior ao recomendado como suportável pelo ser humano.
Estivesse entre nós, duvido que Anchieta conseguisse trabalhar em sua catequese com um barulho desses
Quem sabe até castigasse os índios se batessem um tamborzinho enquanto falasse aos aborígenes ou mesmo interrompessem sua “siesta”.
No mínimo, mandá-los-ia tocar lá na Cibratel ou outra praia mais deserta da cidade. Quem sabe na aldeia de Abarebebê, em Peruíbe?
No Poço das Antas em Mongaguá, talvez fosse mais apropriado, cochicha-me o Grilo Falante.
Seja para onde fossem, com certeza, respeitariam o Jesuíta.
Entretanto, nestes tempos de falta de respeito e ética, tudo se pode nas praias, ainda que fira o direito ao sossego dos moradores, garantido inclusive no Código Civil.
Mas aos organizadores do evento, parece tratarem por idiotas aos que incomodam.
O que a Prefeitura não percebe em seu oportunismo de momento, é que estes moradores, através do pagamento de seus impostos, é que sustentam a cidade, garantem os salários dos criadores da programação cultural da cidade e movimentam efetivamente o comércio da cidade ao longo do ano.
Vivêssemos numa democracia, far-se-iam análises e consultas prévias sobre as conseqüências do evento.
Algum morador da Praia do Sonho foi consultado sobre o interesse ou inconveniência em ouvir músicas – de gosto duvidoso por sinal – durante o dia inteiro?
Pergunto, e sei que alguns outros incomodados fazem o mesmo questionamento: Se o som não incomoda, porque não colocam o trio elétrico no pátio do estacionamento da Prefeitura, durante a semana, e em frente das casas do Prefeito, Secretário da Cultura e demais organizadores aos sábados e domingos.
Seguindo na trilha das consultas, se conseguirmos uma, chegaremos aos médicos.
Consultou-se algum otorrino sobre as irreversíveis lesões auditivas causadas pela prolongada exposição a ruídos superiores a 70 dB?
Talvez entre os presentes na praia houvesse diversos trabalhadores que recebem EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) na empresa onde trabalha, para proteger-se de máquinas muito menos ruidosas que o som a que se expunham.
Ouviu-se algum dermatologista ou oncologista quanto aos cânceres de pele causados, pela exposição ao sol, à platéia instigada a ficar dançando horas ao sol de fritar ovos na areia? Antes que contraponham, não há protetor solar que evite ao excesso.
Pediatras opinaram sobre os males causados pelo som às crianças pequenas.
Agora que a barulheira parou, consigo escutar incautos defensores da ditatorial zorra instalada na Praia do Sonho em Janeiro de 2012.
O que eles dizem?
Chega, mano!
Que cara chato!
Mude-se para o Alaska!
Este é um conselho sábio e mais simples que uma Ação Civil Pública.
Quem estiver incomodado que se mude.
Farei isso.
Não para o Alaska, pois o frio causa-me sinusite e não simpatizo com a Sarah Palin.
Entretanto, apesar de apreciar muito as belezas naturais de Itanhaém, no verão de 2013, provavelmente, farão a zorra na praia sem o dinheiro de meus impostos.
Vendo um apartamento, frente ao mar, na Praia do Sonho.
Preço a combinar.
O comprador receberá, no ato da escritura, um par de protetores auriculares usados e inúteis.

12 janeiro 2012

REVEILLON NA PRAIA

Alerta: Qualquer semelhança deste texto com fatos reais significa que o autor atingiu sua meta. Este relato acontece em tudo que é cidade do litoral.

Réveillon! Oba!
Vamos a La playa, oh! oh! oh! oh! oh!
Atentem para a diferença!
É narrativa do réveillon.
Fosse Natal seria ho! ho! ho! Apenas três ho!
Réveillon na praia é uma delícia. Aquele marzão... Sol... Praião... Tudo maravilhoso em nossos planos...
De repente, muito mais que de repente chega aquele monte de gente...
Os turistas...
Esse ser estranho no qual os humanos se transformam quando saem de seu habitat.
Um caso científico a ser estudado.
O que é o turista de réveillon?
Dirão rapidamente... Turista é aquele contribuinte que será esfolado nos preços das diárias de hotel, apartamentos de aluguel, restaurantes, ambulantes.
As prefeituras os esperam com todo carinho.
Preparam shows de cantores sertanejos – conhecidos ou não, de bandas absolutamente desconhecidas, provavelmente, a serviços de médicos otorrinolaringologistas especializados em surdez.
Claro! Gastarão em cerca de dez minutos de fogos de artifícios a verba que poderia ser destinada a compra de material escolar, medicamentos. Mas, o turista nem perceberá esse detalhe.
Réveillon não é hora de pensar nessas coisas. De mais a mais, ele estará mais preocupado em descobrir onde comprar mais cerveja, pois as três dúzias de latinhas que começou a beber as oito da manhã estão terminando.
Ele não tem culpa da Prefeitura não haver providenciado latões para recolher as latinhas. Diga-se de passagem, não tem mesmo... Então, fazer o que? Deixar as latinhas pela praia.
Quase meia noite!
Viva!
Hora dos fogos de artifício.
Alguém já definiu bem o que são os fogos de artifício: Algo que explode e fica fedendo.
Seria bem mais econômico e ecologicamente correto, se todos ficassem soltando puns na praia, ao invés de queimar-se verba pública.
Os cachorros ficariam menos assustados com o barulho.
Barulho! Barulho! Barulho!
Por que quase todos adoradores de funk, acham que a população inteira tem que ouvir? Passei a madrugada toda escutando carros tunados desfilando pela avenida.
Quero ver quem dirá que meu mau humor matinal foi sem razão.
Piorou, quando resolvi andar pela praia.
Pobre Iemanjá! Quem disse que ela queria aquele monte de flores? Devolveu tudo. Junto com garrafas de uísque vagabundo, garrafinhas de vodka – inteiras ou em caquinhos, garrafas pet e preservativos.
Tudo espalhado pela areia, onde as, ainda hoje inocentes, crianças, e talvez futuros bárbaros, insistem em brincar de castelinho.
Aliás, eu que jurava ter certeza fosse o homem descendente dos macacos – até pelas macaquices praticadas durante as “festividades de confraternização”, passei a raciocinar se, na verdade, não descendemos do porco.
Com certeza, não! Porcos são animais limpos. Cobrem-se de lama para proteger a pele.
Não posso afirmar convictamente se as pessoas estiradas pela areia, na manhã do dia primeiro eram “madrugadores”, conscientes dos males causados pela radiação dos raios solares, bronzeando-se antes das dez horas ou mero rescaldo da noite anterior, pela aparência em cacos da maioria. Mais cacos que eles somente os de garrafas deixados na areia.
Para felicidade geral dos moradores da cidade, neste ano o réveillon foram apenas dois dias de caos.
Poderia ser pior.
No ano passado emendou quinta, sexta, sábado e domingo.
Parece absurdo, mas alguns vizinhos, que puderam abandonar a cidade, procuraram refúgio lá em São Paulo para ter um pouco de paz.
Feliz ano novo aos sobreviventes de mais um réveillon na praia.
Ao trabalho para pagar o IPTU e sustentar o próximo.

17 dezembro 2011

MENSAGEM A PAPAI NOEL

Papai Noel,

Eu sei que você nem se lembra mais de mim.
É recíproco, pois esqueço de você o ano inteiro.
E nem me lembraria, não fosse seus sósias ficarem aparecendo em tudo que é canto, esquina, praça.
Alguns bem feinhos e magricelas.
Todos com suas Noeletes! Essas sim, em sua maioria, valem a pena serem vistas.
Pelo menos as que aparecem na TV.
Quando eu era pequeno, só tinha rena.
Se bem que tenha quem prefira as renas.
Um bom filé de rena mataria a fome de muita gente.
Ui! Lá vem porrada da “APRenaTa” - Associação dos Protetores de Renas Natalinas, acusando-me de renofobia.
Nonoca...
Posso chamá-lo assim?
Você não existe. Se existisse mesmo, o Manto Sagrado já teria ganho a Libertadores.
É o pedido de milhares de pessoas há anos.
E nada!
Aumento de salário de aposentado, também necas de pitipiricas.
Papai Noel, pensando bem você é um saco!
Quando diminui o congestionamento de porta de escola, você cisma de aparecer e tumultuar o trânsito...
Aquele monte de carro parado vendo árvore de Natal no Ibirapuera, enfeites da Avenida Paulista, esperando vaga em porta de shopping.
A culpa é toda sua, Nonoca!
Aumentam os pedintes nos semáforos.
Aumentam os telefonemas de Associações Beneficentes.
Aumentam as filas nos supermercados
Aumenta o preço do bacalhau.
Espírito de Natal?
Pois, sim!
Mera data comercial.
Papai Noel, se manca!
Ninguém está preocupado com você.

PREVISÕES INFALIVEIS PARA 2012

PREVISÕES PARA 2012

Nossas previsões para 2011 foram um sucesso.
Mais de 95% de acerto.
Em time que está ganhando não se mexe...
Repetiremos o feito em 2012.
Então, vamos lá:

O ano será bissexto.
Assim sendo, seguramente Fevereiro terá 29 dias.
Todos os demais meses também.
A BANCOOP não entregará nenhum imóvel.
O Corinthians disputará novamente a Libertadores.
Pela Internet, circularão informações que Elvis não morreu, que querem acabar com o 13º.salário, que alguém amanheceu numa banheira de gelo sem o rim, que alguém foi dopado ao pegar o segundo prato num restaurante, que este parágrafo está parecendo boletim de ocorrência de tantos “quês”.
Haverá shows com sobreviventes da Jovem Guarda.
A TV Globo apresentará o Especial de Natal de Roberto Carlos.
Se Roberto não se converter à Universal e apresentar-se na Record.
Acontecerão tragédias aéreas. O BBB e a Fazenda continuarão no ar.
Quem sobreviver, e não tiver o que fazer, verá. Estarei ocupado.
Morrerão pessoas que nunca haviam morrido antes.
Em não existindo Medidas Provisórias alterando as datas por motivo de força maior, a terça-feira de Carnaval será numa terça-feira, a sexta-feira Santa numa sexta e Corpus Christi (não confundir com Habeas-Corpus) numa quinta.
Os Habeas-Corpus serão concedidos em todos os dias da semana, liberando o geral.
O governo anunciará a descoberta de poços de petróleo no pressal.
O preço da gasolina continuará salgado.
O índice de reajuste do aposentado será menor que o do Salário Mínimo.
Haverá greves do funcionalismo público. E ninguém notará.
Professores entrarão em greve. E ninguém notará.
Alunos invadirão a reitoria da USP.
O dia das Mães será no segundo domingo de Maio.
Já o dia dos Pais, independentemente de quem seja, será no dia 12 de Agosto.
Haverá congestionamentos em São Paulo.
Diretores de Escolas de Samba reclamarão de injustiça no resultado.
Caetano Veloso dará entrevista garantindo – ou não, sei lá...
Infelizmente, será difícil um filme brasileiro ganhar o Oscar.
Todavia, os astros garantem: Um filme brasileiro ganhará a categoria nacional do Festival de Gramado.
Atrizes globais cinqüentonas (ou mais) unir-se-ão a homens muito mais jovens.
Artistas estarão envolvidos com drogas.
Haverá programação especial para comemorar o centenário de Nelson Rodrigues, Mazzaropi e Jorge Amado e, talvez, novamente, de Adoniram.
O Braziu classificar-se-á antecipadamente para a Copa de 2014.
Noventa e nove por cento de possibilidade do campeão gaúcho ser o Internacional ou o Grêmio.
É semelhante a possibilidade do campeão mineiro ser o Cruzeiro ou Atlético.
O Íbis vencerá uma partida. (N.A.– Preciso errar algo para ter credibilidade).
Chipre não se classificará para as finais da “Euro-Copa”.
José Sarney e parte do PMDB apoiarão o governo.
Outra parte apoiará quem estiver no Governo.
Dilma demitirá ministros por causa de denúncias da imprensa.
Continuaremos sem saber como uma tartaruga sobe num poste e o que faz lá.
Surgirão templos evangélicos em diversas esquinas e galpões.
Eduardo Suplicy cantará “Blowin´in the Wind” , em uma sessão do Senado..
Um membro do Judiciário cometerá crime e será absolvido por seus pares.
Presos indultados cometerão crimes no período do indulto.
Membros do tráfico serão libertados por seus pares que explodirão uma delegacia.
Políticos envolvidos com milícias e com o tráfico serão julgados e absolvidos por seus pares.
A lei da Ficha Limpa talvez seja julgada pelo STF.
O povo discutirá os crimes nas novelas e prescreverão crimes reais de políticos.
O Mensalão poderá ingressar na primeira série, pois completará sete anos.
Haverá horário político obrigatório.
O Ministro da Saúde falará em rede nacional sobre o surto de dengue e afirmará que os culpados são seus vizinhos e os donos de borracharia.
Haverá muitas balas perdidas no Rio.
Morros desabarão por causa das chuvas.
Haverá denúncias de desvios nas doações.
A passeata do Orgulho Gay terá muito mais gente que em 2011.
Miss Braziu ainda será uma mulher.
Há fortes probabilidades de nascer a Miss Braziu-2032.
Se houver a conjunção da constelação de Áries com a Estrela Dalva, haverá forte reação de Touro que exigirá o teste de DNA dos Gêmeos no programa do Ratinho.
Depois dos Quartos Crescentes virão sempre as Luas Cheias.
Haverá “blue moon” em Agosto.
Para terminar, deixo uma mensagem de esperança:
Que todos estejamos aqui ao final de 2012, para novas estonteantes previsões.
Um feliz 2012 !

09 dezembro 2011

GUARDANAPO - Premio Especial do Juri - XIII Concurso Nacional de Poesias

GUARDANAPO

Maquiagem desfeita
Noite mal dormida
Castigo da vida?
Trabalho? Coisa feita?
No espelho um trapo
Sente-se um farrapo.
No canto amassado
Bilhete borrado...
Mais esperança perdida
Foi-se o sonho de véu
Prometido no papel
Tanta jura não cumprida
Carruagem? Conto de fada?
Viagem de lua de mel...
Tornaram-se apenas nada
Pouco restou da despedida:
Doendo no pensamento
Lágrima ressacada
A endurecer sentimento;
Dor cortante navalha
No amanhecer sem calor
Mais um amor errado
Solitária, bate um medo
Derreteu-se outra paixão
Sente arder o dedo
Ao acender o fogão
Nas mãos retalha
Aos fiapos o guardanapo
Com um verso encantado
Que aquecera seu coração
--------------------------------------------------------

XIII CONCURSO NACIONAL DE POESIAS 2011
Clube dos Escritores de Piracicaba

Categoria Profissional: Premio Especial do Júri para Pedro Luiz Dias Galuchi, de São Paulo/SP, com a poesia “Guardanapo”.

22 novembro 2011

SEQUELAS DO BRAZIL

Braziu,
Terra abaixo do Equador
Sem pecado, sem juízo
Você está um porre!
Veio Cabral navegador
Índios livres, paraíso
Quem agora lhes socorre?

Braziu,
Hoje sem suas densas matas
Só mentiras e cascatas
Jagunços bem armados
Será que tu não te arrependes?
De Zumbi a Chico Mendes
Quantos foram eliminados?

Braziu,
De seus bravos coronéis
Importando seus escravos
Acorrentados pelos pés
Libertos foram nos papéis
Continuam as correntes
Nos afro-descendentes

Braziu,
Dos grupos de meninos
Incendiando os Galdinos
Que não têm onde dormir
Nossa revolta só aumenta
Arde vermos o Pimenta
Leve e solto por aí

Braziu,
Das mortes na Candelária,
De Dorothy, madre operária
Essa sim vinha servir
Um povo a pedir socorro
Que despenca pelo morro
Basta uma chuva cair

Braziu,
Preto e pobre é que são presos
Nem ficamos mais surpresos
Só nos resta indignar
Nada de chamar a polícia
Senão surge uma milícia
Pra sua família chacinar

Braziu,
Levanta do eterno berço
De tanto levarem um terço
Seu continente vira ilha
Amada pátria tão garrida
Merecia melhor vida
Só em festa ter quadrilha

Braziu,
De mulher, praia e cerveja
Cada esquina uma igreja
Enriquece seu pastor
Corrupção se espalha
Ainda chamam o canalha
De excelência e doutor

Braziu,
Que fim levou o seu Cruzeiro!
Vale mais quem tem dinheiro
Bom padrinho, costa quente,
Será que um dia toma jeito
Ter igualdade e respeito
Quem sabe mais frente

Braziu,
Da malária, mal de Chagas
A pior de suas pragas
Não é a saúva, é o chupim
Vende riqueza nas lotecas
Enquanto enchem as cuecas
Com o rateio do butim

Braziu,
Crise na bolsa, inflação
Mais um banco faliu
Manda a conta pro povão
De fome chora a criança
Velho morre de frio
Cansa a esperança

Braziu
Tento mudar de canal
A notícia é sempre igual
Do palanque vem promessa
Parece que só interessa
Encher a cara e de fogo
Sentar e ver o jogo

Braziu,
Do folclore e carnaval
Não se estranhe, afinal
O saci ser um herói
Se pelos deuses abençoado
Alguma coisa deu errado
Isso dói e como dói
Braziu,
Terra abaixo do Equador
Sem pecado, sem juízo
Você está um porre!
Veio Cabral navegador
Índios livres, paraíso
Quem agora lhes socorre?

Braziu,
Hoje sem suas densas matas
Só mentiras e cascatas
Jagunços bem armados
Será que tu não te arrependes?
De Zumbi a Chico Mendes
Quantos foram eliminados?

Braziu,
De seus bravos coronéis
Importando seus escravos
Acorrentados pelos pés
Libertos foram nos papéis
Continuam as correntes
Nos afro-descendentes

Braziu,
Dos grupos de meninos
Incendiando os Galdinos
Que não têm onde dormir
Nossa revolta só aumenta
Arde vermos o Pimenta
Leve e solto por aí

Braziu,
Das mortes na Candelária,
De Dorothy, madre operária
Essa sim vinha servir
Um povo a pedir socorro
Que despenca pelo morro
Basta uma chuva cair

Braziu,
Preto e pobre é que são presos
Nem ficamos mais surpresos
Só nos resta indignar
Nada de chamar a polícia
Senão surge uma milícia
Pra sua família chacinar

Braziu,
Levanta do eterno berço
De tanto levarem um terço
Seu continente vira ilha
Amada pátria tão garrida
Merecia melhor vida
Só em festa ter quadrilha

Braziu,
De mulher, praia e cerveja
Cada esquina uma igreja
Enriquece seu pastor
Corrupção se espalha
Ainda chamam o canalha
De excelência e doutor

Braziu,
Que fim levou o seu Cruzeiro!
Vale mais quem tem dinheiro
Bom padrinho, costa quente,
Será que um dia toma jeito
Ter igualdade e respeito
Quem sabe mais frente

Braziu,
Da malária, mal de Chagas
A pior de suas pragas
Não é a saúva, é o chupim
Vende riqueza nas lotecas
Enquanto enchem as cuecas
Com o rateio do butim

Braziu,
Crise na bolsa, inflação
Mais um banco faliu
Manda a conta pro povão
De fome chora a criança
Velho morre de frio
Cansa a esperança

Braziu
Tento mudar de canal
A notícia é sempre igual
Do palanque vem promessa
Parece que só interessa
Encher a cara e de fogo
Sentar e ver o jogo

Braziu,
Do folclore e carnaval
Não se estranhe, afinal
O saci ser um herói
Se pelos deuses abençoado
Alguma coisa deu errado
Isso dói e como dói
-------------------------------------------

Baseado em versos de Duque Estrada, Ary Barroso, Baby Consuelo e Chico Buarque e tantas notícias de jornal.